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PT que o pariu

Alexandre Mestre, Secretário de Estado da Juventude, foi passear ao Brasil e disse coisas bonitas.

Para ele, os jovens portugueses desempregados estão numa "zona de conforto", que devem ser mais aguerridos na procura de emprego e, para isso, devem emigrar e exportar as suas competências pelo mundo. A afirmação agitou as pessoas de bom senso. 

Como se o Alexandre já não estivesse em apuros com a asneira que disse, desculpou-se acrescentando que o sentido das suas palavras tinha sido deturpado, que o que ele designou como "zona de conforto" era a "casinha dos pais" e nada havia de mal nesse fio lógico. 

Antes de acabar o boneco vodu que comecei a fazer do Secretário, escrevo umas quantas considerações sobre o assunto.

A intervenção de Alexandre Mestre foi desastrosa. Sob o ponto de vista da confiança no futuro económico do país, sentencia o falhanço das medidas em vigor que pretensamente tirarão Portugal da crise pois não há lugar à esperança nos próximos tempos. Exportar portugueses pode ser uma boa solução estatística mas a mercadoria faz cá falta.

Ao dizer que os jovens se encontram numa "zona de conforto" é demonstrar o desconhecimento da dificuldade que as pessoas, sem carreira partidária, têm em encontrar trabalho digno no território nacional. Remendar a declaração dizendo que os jovens estão na "casinha dos pais" atesta insensibilidade, quiçá preceito de asno, em considerar que todos os jovens vivem com os pais como primeira opção e não como única alternativa, uma vez que não há trabalho cujo valor permita a emancipação individual e possibilidade de os próprios jovens serem pais.

Por fim, cospe na cara dos que cá ficam e que acreditam ter um papel pequeno mas importante no desenvolvimento económico e social de Portugal, terra que os pariu e que os une.

Quando se despreza alguém, manda-se-lhe ir dar uma volta e o senhor Secretário de Estado não fez da sua relação com os jovens excepção.