poem

pimentinha

uma banda era evidente e precisa
para cuspir a ira da pancinha cheia
do jovem burguês de cabeça narcisa
viu-se a inaptidão de amar a plebeia

do pai herdou o despeito, da mãe a errata
metais, cordas, roupa rota e voz de ruído
de política entulhava alheio ouvido
e, para o amor, nascia um burocrata

de uma terra em muito parecida
chegou-lhe a menina dos olhos
por momentos jurou-lhe a vida
(a mentira é verdade com folhos)

tomado pirata saqueou-lhe a devoção
nem se ressentiu por não ser parte
nem por cobrar manado ou mão
nem por escurecer o escarlate