proposta de tese

doutoramento

 
 

NOTA: Procuro orientad@r

Introdução

O presente texto corresponde ao sucinto esboço da investigação artística que gostaria de desenvolver em torno do sentido de missão da representação estética. 

Revejo-me no sentido de missão do fazer traduzido nas palavras do Ultimatum! de Álvaro de Campos. Este texto tornou-se matriz programática de uma investigação que tenho levado a cabo, regida sobretudo pela sua segunda parte, na qual o autor proclama saber um caminho a quem faltam caminhantes. Por aí sigo. 

Álvaro de Campos identifica a ocorrência dos males da sua época, sobretudo os d’”A Europa (que) tem sede de que se crie, (que) tem fome de Futuro !”, para contrapor depois o caminho na direcção da civilização individual infinita.

O princípio da representação em Pessoa - lembre-se o fingidor - e a alteridade nela implicada, levam-me a adoptar a condição de ser “da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!”. Ou seja, procuro representações artísticas da liberdade em regime de contingência. 

Foi pela omnipresença mediática do design na comunicação que optei por nele me licenciar, entre 2002 e 2007. Os símbolos e os arquétipos potenciam tempestades perfeitas de mudança. A imagem é fórmula sebastianista que representa o salvador.

Em 2012, foi o desaire político que me cativou o interesse. Procurava razão para sacrificar-me por um país sem representação digna, carente de qualquer voluntarismo romântico para gastar a vida em dores corruptas. 

Em Fernando Pessoa, instala-se-me uma concepção universalista harmónica, porque múltipla, da existência. Ancora nele o mar das minhas dúvidas sobre o fazer e sobre as razões universais pelas quais vivemos sucessivamente juntos. Tanto extraio dele o anarquista como o patrão Vasques.

Tenho ensaiado criações artísticas na expectativa de revelar o Encoberto. Produzo, na sua maioria, textos, imagens e iniciativas projectuais que obedeçam às três leis constantes da segunda parte do Ultimatum!, com o objectivo de propiciar aparições de um infinito histórico e adaptar a sensibilidade à matéria. Manifesto inclinação por configurações que contraiam o tempo como o fazem o Interseccionismo e o Sensacionismo. Seduzem-me a densidade simbólica do apelo à alteração radical do eu ou a heteronímia como processo de inteligência artificial biológica numa horta de super-homens

Concebo o ingresso na academia por precisar de modelar as ideias e dedicar tempo à investigação prática. Além de produção teórica e gráfica, prevejo que do estudo resultem suportes video, audio ou web, de forma a “despersonalizar” a representação do tempo, espaço e matéria. 

IV & 1/2 Império
doutrina de acção em Álvaro de Campos

Sugiro a possibilidade da chegada do Encoberto se ter dado com o advento da cloud dos universos de dados, da maleabilidade dos territórios digitais, da heteronímia no acto da representação, do esboroamento da noção de propriedade.

Torna-se necessário adaptar a sensibilidade à era em que o texto é código e os dados a mais valiosa mercadoria.

Reclamo o papel de tradutora de dados sob o filtro de Álvaro de Campos com o programa de Ultimatum!

Preâmbulo

Angústias e exultações em Ultimatum!
Diagnóstico programático do desassossego

a.
Em Política

  • “Que farei-eu com esta espada?”  

    • Pessoa e 25 de Abril, sempre: nota a João César Monteiro; o propósito da representação no posicionamento político em Pessoa; criar e servir.
  • Anarquismo e rituais de iniciação
    • O caminho para a anarquia na disciplina iniciática do histero-neurasténico; o tempo, a representação e o futuro implicado na noção de memória; as escadas da civilização.
  • IV&1/2 Império
    • Harmonias em barro: o V Império desde a varanda Interseccionista; a missão da coisa que é linda.
    • Moldes para a Alteridade: ser triangular como uma ampulheta; costumes do sentimento de propriedade; sentido de comunidade num universo incriado e consubstancial.

b.
Em Filosofia

  • O Super-Homem e o Rei-Média encontram-se num bar.
    • A relação do Super-Homem de Nietzsche e o Homem-média de Pessoa no devir da Humanidade.
    • Universalidade do indivíduo em Ultimatum! .: eu, liberdade, coacção, fim; génio e género.
  • Encoberto e Sensacionismo
    • Ser uma idéa de nuvem: heteronímia radical; redefinição da propriedade por excesso de dados; difusão e cirurgia no engenheiro interseccionista.

c. 
Em Arte

(Prática artística sob o Encoberto é Cloud: tipos de encobertura)

  • assim sendo dados, étant donnés
    Marcel Duchamp no xadrez do fazer digital
  • fantasmas e aparições
    encoberto de assombro
  • sombras e feixes de palha
    espantalhos na caverna de Platão
  • retratos da aristocracia média
    representantes da Humanidade segundo o preceito pessoano de Homem-Média.